Formado exclusivamente por mulheres líderes em suas áreas de atuação em companhias como Avon, Banco Votorantim, B3, C6 Bank e Banco Santander, o painel sobre Business Agility da 11ª edição do GFT User Group | Digital Transformation abordou a maneira como práticas ágeis estão mudando o cenário do mundo dos negócios.

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Sendo mediado por Simone Pittner, o encontro entre essas grandes profissionais colocou em pauta o conceito de agile, contextualizando o que vem acontecendo no mercado por meio dos produtos e serviços digitais e englobando os três pilares fundamentais do assunto: pessoas, entrega contínua de valor e mindset.

 

Um novo jeito de fazer negócios

 

Business Agility é a capacidade de adaptação rápida das empresas às demandas trazidas pela transformação digital, configurando-se como a estratégia de sobrevivência de empresas tradicionais e o grande diferencial competitivo das companhias que estão surgindo, composta por startups em sua maioria.

 

As especialistas trouxeram à tona o conceito de agilidade nos negócios, para além das áreas de tecnologia, que vem para mudar o foco do mundo corporativo, com a oportunidade de trabalhar de maneira diferente, mirando em novas formas de trabalho que, supostamente, pouca gente já colocou em prática. A partir daí, surgiu a questão central do painel: como trabalhar nesses novos ambientes, reinventando-se continuamente? Foi destacada a necessidade de entender e vivenciar o propósito das empresas, com os KPIs do negócio, alinhá-lo impulsionando os resultados.

 

Pessoas no centro das entregas contínuas de valor

 

Foi unânime entre as executivas que o pilar de pessoas é o que cria a base para entregas qualificadas que buscam atender ao que os clientes necessitam, seguido pelo mindset. As metodologias ágeis, desse modo, chegam para proporcionar um ambiente colaborativo com espaço para que as pessoas co-criem e cometam erros, o que possibilita que ajustes sejam feitos rapidamente, posicionando os clientes no centro das tomadas de decisão.

 

Para sobrevivência nesses ecossistemas inovadores, entretanto, é necessário que os profissionais estejam engajados, o que se torna difícil quando as pessoas não sentem que geram valor ou não têm afinidade com o propósito da empresa. O ato de ter retrabalhos, nesse contexto, também foi um ponto em destaque por exigir um planejamento robusto, já que o agile aplica velocidade aos negócios, mas exige qualidade e objetivos bem definidos no planejamento.

 

Pessoas são, definitivamente, o diferencial que as empresas têm para atuar com modelos ágeis. As novas gerações, entretanto, não costumam ficar muito tempo em uma mesma organização e querem resultados rápidos, gerando gargalos de produtividade e continuidade por causa da perda de talentos.

 

A disputa de talentos, principalmente em TI, estendeu o debate ao propósito que, nos dias de hoje, é importantíssimo e vem antes dos salários e benefícios. A agilidade tem esse papel de conectar os profissionais aos valores das empresas, influenciando até na contratação de pessoas com habilidades distintas (os famosos soft skills), e também impulsionando a diversidade & inclusão.

 

Como fica a cultura?

 

“Pessoas criam a cultura organizacional que, por sua vez, engole a estratégia no café da manhã”. Essa é uma frase de Peter Drucker, considerado o pai da Administração moderna, que foi bem difundida no painel. As convidadas concordaram que o maior erro cometido pelas organizações é deixar a cultura de lado.

 

Se a cultura não for alinhada internamente, não será possível fazer a transformação ágil. Consequentemente, é muito perceptível quando a mudança é feita por meio da cultura, pois ocorre a adaptação de todas as áreas de uma companhia aos novos meios e ferramentas (não restrito às tecnologias apenas), apontando para o futuro, rompendo com o modelo antigo de negócios.

 

Uma nova maneira de suprir as expectativas do cliente

 

Como as pessoas estão no centro de tudo, pela perspectiva das práticas ágeis de trabalho, foi mencionado no painel a importância de criar experiências fantásticas aos clientes, pensando que produtos são feitos por e destinados a humanos. A especialista Simone Pittner, aproveitando a presença de uma das líderes da Avon, chegou até a citar uma memória de sua infância relacionada à companhia, conectando a venda dos produtos pelas revendedoras ao fato de essas mulheres também serem elas próprias consumidoras da marca.

 

O suprimento dessas expectativas e laços dos clientes com as empresas vêm sendo fortalecidos com o business agility e têm tornado mais fácil o ato de migrar para a jornada digital. Ao todo, transformação ágil significa a construção e adequação dos produtos no ambiente digital, com o diferencial de que os consumidores humanizam a tecnologia, personalizando-a.