A Inteligência Artificial (IA) é o motor por trás dessa nova arquitetura financeira. Com ela, o Beyond Banking transcende os limites dos serviços financeiros tradicionais ao integrar ofertas não financeiras à experiência do cliente – de marketplaces a serviços de turismo ou telecomunicações ofertados por bancos. A essência da transformação está na capacidade das instituições de evoluir além da oferta de produtos bancários, tornando-se orquestradoras de ecossistemas digitais completos e personalizados.
Nesse novo panorama, o domínio de IA não é mais diferencial – é pré-requisito. A tecnologia permite analisar grandes volumes de dados em tempo real para detectar tentativas de fraude, identificar padrões comportamentais e tomar decisões em milissegundos, tudo isso sem comprometer a experiência do usuário. A capacidade de evoluir a TI com agentes inteligentes abre uma nova frente de eficiência, onde a automação passa a ser contínua, proativa e adaptável.
A ampliação no uso de agentes de IA representa um avanço expressivo na automação de processos internos, especialmente na área de TI. Novas gerações de agentes guardiões estão surgindo para lidar com desafios de segurança e confiabilidade. Estes agentes atuam como revisores, monitores e protetores, capazes de identificar conteúdos gerados por IA, rastrear o comportamento de outros agentes e bloquear ações maliciosas ou não autorizadas. Projeções apontam que até 2030 esses agentes especializados poderão mitigar 15% das ameaças que afetam os próprios sistemas autônomos de IA. Para serem efetivos, no entanto, exigem integração com a infraestrutura tecnológica existente e clareza nos objetivos de governança.
O compromisso do setor bancário com essa revolução tecnológica é evidente. Os bancos brasileiros projetam investir R$ 47,8 bilhões em tecnologia em 2025, um aumento de 13% em relação ao ano anterior. Os aportes em IA e dados devem crescer 61%, demonstrando uma clara aposta no potencial transformador dessas tecnologias. Segundo levantamento da Febraban, 88% dos bancos já utilizam IA para inovação, e 94% a adotam para aprimorar o atendimento ao cliente.
Contudo, há uma lacuna entre o potencial reconhecido da IA e sua aplicação estratégica. Apenas 25% das instituições a utilizam de maneira estruturada para reforçar sua posição competitiva, e apenas 40% dos bancos que operam com IA generativa contam com equipes dedicadas à supervisão ética da tecnologia. A governança, portanto, desponta como um elemento crítico a ser fortalecido – especialmente diante de regulamentações emergentes, como o AI Act europeu.
Outro ponto de atenção é a maturidade do mercado brasileiro em relação à adoção da IA. Dados recentes mostram que metade das empresas ainda não utiliza essa tecnologia, e, entre as que já adotaram, 71% estão em estágios iniciais, com pouco retorno sobre os investimentos. Apenas 7% conseguem capturar valor real. Esse cenário reforça a importância de uma abordagem estruturada, com foco em governança, integração tecnológica e capacitação organizacional.