22 set. 2026

Da estabilidade à adaptabilidade: A nova evolução do Core Banking

Como a modernização contínua prepara o Core Banking para a era da IA e dos pagamentos digitais.
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Sergio Favarin
Business Vice President da GFT Technologies no Brasil
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O Core Banking foi fundamental para garantir segurança, escala e confiabilidade ao setor financeiro. Agora, diante da IA, dos pagamentos digitais e de novos modelos de negócio, sua evolução passa pela capacidade de adaptação contínua.

A modernização não significa necessariamente abandonar sistemas legados ou ambientes de mainframe. O desafio é transformá-los em arquiteturas mais abertas, modulares e orientadas a serviços.

Tecnologias cloud native, como containers, microsserviços e automação, permitem atualizações incrementais e maior agilidade.

O Pix demonstra como tecnologia, regulação e inovação podem trabalhar juntas em uma infraestrutura financeira de escala massiva.

Nesse cenário, open source, interoperabilidade e segurança tornam-se elementos essenciais para uma modernização sustentável.

O futuro do Core Banking será definido pela capacidade das instituições de evoluir continuamente diante das novas demandas.

O template indica um abstract de até 4 linhas e um texto de 6 linhas nessa seção.

Poucas tecnologias foram tão determinantes para a evolução do mercado financeiro quanto os sistemas de Core Banking. Durante décadas, eles sustentaram a expansão dos bancos, garantindo segurança, processamento de transações em larga escala e confiabilidade operacional em um ambiente onde a disponibilidade nunca foi opcional. Porém, o contexto mudou. O surgimento de ecossistemas digitais, a consolidação de modelos de negócio orientados por dados, a popularização de meios de pagamento instantâneos e a ascensão da inteligência artificial estão impondo uma nova dinâmica ao setor. Hoje, a principal discussão já não é substituir o legado, mas preparar o núcleo bancário para evoluir continuamente.

Essa transformação ocorre em um momento em que a tecnologia deixa de ser apenas suporte operacional para se tornar um elemento estratégico da competitividade. Segundo um estudo, a Inteligência Artificial (IA) Generativa poderá adicionar entre US$ 2,6 trilhões e US$ 4,4 trilhões em valor econômico anual à economia global. No setor financeiro, esse potencial se traduz em ganhos expressivos de produtividade, automação de processos complexos, gestão de riscos e personalização de serviços. A nova geração de aplicações baseadas em IA, especialmente modelos agênticos capazes de atuar de forma autônoma e coordenada, exige infraestruturas muito mais flexíveis, integráveis e escaláveis do que aquelas concebidas para a realidade bancária de décadas atrás.

Nesse cenário, a dicotomia entre legado e cloud native tende a perder relevância. A experiência mostra que modernizar não significa necessariamente abandonar plataformas consolidadas, incluindo ambientes de mainframe que continuam oferecendo níveis excepcionais de segurança, resiliência e capacidade de processamento. O desafio está em transformar aplicações monolíticas em arquiteturas mais abertas, modulares e orientadas a serviços, capazes de incorporar inovação contínua sem comprometer a estabilidade operacional. Em vez de uma ruptura, o que vemos é uma evolução arquitetural.

As tecnologias nativas na nuvem desempenham papel central nessa jornada. O uso de containers, microsserviços, automação de infraestrutura e práticas modernas de desenvolvimento permite que bancos atualizem aplicações de forma incremental, acelerem ciclos de entrega e integrem novos serviços com muito mais agilidade. Essa flexibilidade é especialmente importante em um ambiente regulatório dinâmico e em um mercado onde novas demandas surgem em ritmo acelerado. A modernização deixa de ser um projeto com início, meio e fim para se tornar uma capacidade permanente da organização.

GFT helps banks deliver secure, seamless digital payment experiences with modern technology, AI, cloud, and data. Enable contactless payments, personalized banking services, and innovative customer journeys across digital channels.

O sucesso do PIX ilustra com clareza essa mudança de paradigma. O sistema brasileiro demonstrou que é possível operar uma infraestrutura financeira crítica em escala massiva, com alta disponibilidade, baixo custo e capacidade de evolução contínua. Mais do que um novo meio de pagamento, o Pix tornou-se uma referência internacional de como tecnologia, regulação e inovação podem trabalhar juntas para ampliar a inclusão financeira, reduzir fricções e criar oportunidades para companhias e consumidores. Seu sucesso reforça uma lição importante: a inovação sustentável depende de plataformas preparadas para crescer e se adaptar constantemente.

Outro elemento cada vez mais relevante nessa transformação é o open source. O que começou como alternativa para redução de custos evoluiu para um modelo estratégico de inovação colaborativa. Ao permitir interoperabilidade, evitar dependência excessiva de fornecedores específicos e acelerar o desenvolvimento tecnológico, o código aberto tornou-se um dos principais catalisadores da modernização financeira. Não por acaso, pesquisas mostram que 93% dos líderes bancários que adotam open source relatam melhoria na qualidade do software, enquanto 87% afirmam obter ganhos concretos de valor para o negócio. Em um ambiente marcado pela necessidade de inovação contínua, liberdade tecnológica e escalabilidade deixaram de ser diferenciais para se tornarem requisitos essenciais.

Naturalmente, essa evolução também amplia os desafios de segurança. Quanto mais inteligentes e distribuídas se tornam as aplicações, maior a necessidade de governança e proteção. Um levantamento projeta que, até 2028, metade dos esforços corporativos de resposta a incidentes de cibersegurança estará concentrada em aplicações personalizadas baseadas em inteligência artificial. A recomendação da consultoria é clara: segurança deve fazer parte da estratégia desde o primeiro dia dos projetos de IA e modernização tecnológica. A confiança continuará sendo um dos ativos mais valiosos do setor financeiro.

O futuro do Core Banking será definido menos pela tecnologia utilizada e mais pela capacidade de adaptação que ela proporciona. Em um mercado impulsionado por IA, hiperpersonalização, pagamentos digitais e novos modelos de negócios, as instituições que prosperarão serão aquelas capazes de modernizar continuamente suas plataformas centrais. O verdadeiro objetivo não é escolher entre legado e cloud native, mas sim construir uma arquitetura preparada para evoluir tão rapidamente quanto as expectativas dos clientes, as exigências regulatórias e as oportunidades de inovação que surgirão nos próximos anos.

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Sergio Favarin

Business Vice President da GFT Technologies no Brasil
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