22 jul. 2026

IA, modernização e cloud: A trinca que redesenha a tecnologia na América Latina

Como cloud, IA e modernização de sistemas legados estão impulsionando a transformação digital e a competitividade na América Latina.
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Alessandro Buonopane
CEO GFT LATAM
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A América Latina vive um momento decisivo para acelerar sua transformação digital. Embora o potencial econômico da inteligência artificial seja enorme, poucas organizações conseguem capturar valor em escala. Nesse cenário, a integração entre IA, cloud e modernização de sistemas legados torna-se fundamental para impulsionar inovação, produtividade e crescimento sustentável.

A transformação digital na América Latina entrou em uma nova fase. Mais do que adotar novas tecnologias, as empresas precisam integrá-las aos seus processos centrais para gerar resultados concretos. Países como México, Colômbia e Brasil apresentam desafios e oportunidades distintos, mas compartilham um objetivo comum: utilizar inteligência artificial, cloud e modernização tecnológica para acelerar a inovação, aumentar a eficiência operacional e fortalecer sua competitividade.

A América Latina entra em 2026 em um momento decisivo para a captura de importância através da tecnologia. Apesar do potencial econômico estimado entre US$ 1,1 trilhão e US$ 1,7 trilhão anuais que a Inteligência Artificial (IA) pode gerar na região, apenas 23% das organizações reportam gerar algum valor econômico com IA, e somente 6% conseguem impacto significativo em resultados. Esta lacuna entre potencial e realização define o cenário estratégico para empresas de tecnologia que apostam na região: há oportunidades substanciais sendo deixadas na mesa, e a vantagem competitiva pertencerá àquelas que souberem traduzir capacidade técnica em transformação efetiva de negócio.

Assim, o ano se inicia não mais com a promessa da transformação digital, mas a execução. Em um cenário em que apenas uma parcela ainda limitada das organizações da região captura valor econômico relevante da IA, o desafio central deixa de ser “adotar tecnologia” e passa a ser integrar cloud, IA e modernização de legados aos processos centrais do negócio. Por isso, 2026 pede um olhar estratégico que combine reposicionamento AI Centric – não apenas conceitual, mas operacional – com adaptação fina às dinâmicas mercadológicas de cada país.

No México, o paralelo com o Brasil entre 2017 e 2019 é direto: a aceleração da adoção de cloud no setor financeiro vem acompanhada de maior escrutínio regulatório, exigindo maturidade técnica, governança e diálogo com reguladores. A expertise acumulada em move-to-cloud permite não só reduzir riscos de conformidade, mas acelerar o time-to-market dos clientes em um ambiente cada vez mais competitivo. O salto qualitativo acontece quando cloud deixa de ser apenas infraestrutura e passa a ser a base para iniciativas de atualizações com IA, conectando modernização de core systems, dados e automação inteligente de processos críticos.

A Colômbia, por sua vez, apresenta uma urgência clara na modernização de ambientes legados, especialmente em setores pressionados por eficiência, margens e competição digital. Aqui, a IA aplicada à modernização de sistemas não é apenas um possuir a tecnologia, mas um acelerador direto de produtividade e transformação. Agentes de IA, copilotos para engenharia de software e automação de testes e migrações reduzem custos, encurtam ciclos de entrega e liberam times para inovação de maior valor agregado. Em mercados onde o acesso a capital é mais seletivo, eficiência operacional vira vantagem competitiva estrutural.

Na América Central e no Caribe, o desafio é menos tecnológico e mais de capacitação e escala. A estratégia de usar o Brasil como hub de conhecimento, formando talentos locais e transferindo metodologias, cria um caminho pragmático para elevar o nível técnico da região. O histórico de delivery em países como Costa Rica mostra que há base operacional para evoluir de execução para valor consultivo, especialmente quando aplicado a contextos locais de bancos, seguradoras e fintechs em amadurecimento digital.

Essa estratégia regional ganha ainda mais relevância quando observamos o ecossistema de SaaS latino-americano. Segundo um levantamento, empresas brasileiras de SaaS geram cerca de 93% da receita no mercado doméstico, enquanto companhias sediadas na Argentina, Chile e México operam de forma muito mais regional, com o México emergindo como polo de expansão. Isso sugere duas oportunidades para empresas de tecnologia B2B: primeiro, apoiar startups e scale-ups brasileiras em processos de internacionalização, oferecendo infraestrutura cloud, integrações de IA e arquitetura que suporte operação multi-país; segundo posicionar-se como parceiro técnico de SaaS regionais que já operam cross-border e precisam escalar com eficiência operacional. O mesmo relatório também indica que 82% das empresas de SaaS na região já lançaram funcionalidades de IA, e 60% reportam melhorias mensuráveis em engajamento. A demanda por capacidade técnica em IA está consolidada; a questão agora é quem entregará essa capacidade de forma confiável, escalável e com expertise setorial.

Transversalmente, a região entra em 2026 com um paradoxo: o potencial econômico da IA é elevado, mas a captura de valor ainda é tímida. Estudos recentes indicam que a adoção de IA pode elevar a produtividade regional em algo próximo a 2% ao ano e gerar benefício econômico adicional na casa de trilhões de dólares ao longo do tempo, com maior peso em aplicações analíticas e, crescentemente, em IA generativa. O problema não é a falta de casos de uso – que já aparecem em finanças, agricultura, mineração e serviços –, mas a dificuldade de integrar IA aos processos core e aos modelos de negócio, saindo do uso pontual para impacto sistêmico.

Nesse contexto, companhias AI Centric podem ser peças importantes para organizações que busquem se adequar às demandas da atualidade em cada uma dessas regiões da América Latina, trazendo consigo a soma de décadas de experiência em tecnologia corporativa com as capacidades mais modernas de IA. A diferença entre países na região é menos técnica e mais mercadológica – como se compra tecnologia, como se constrói relacionamento e como se organizam projetos. Isso exige times locais especializados, capazes de adaptar discurso, timing e abordagem comercial sem perder a coerência estratégica regional.

Há também uma oportunidade clara de o Brasil atuar como motor de integração regional. Apesar da força do seu ecossistema digital, muitas empresas ainda operam de forma excessivamente doméstica, enquanto mercados como México e Colômbia mostram maior vocação para expansão regional. 2026 pode ser o ano de transformar a América Latina em um verdadeiro laboratório de execução: cloud regulada e integrada à IA no México, modernização acelerada por IA na Colômbia e capacitação estruturada na América Central e Caribe – três frentes distintas, unidas por uma mesma ambição de transformar tecnologia em resultado de negócio real.

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Alessandro Buonopane

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